Até logo, mãe

Essa semana perdi minha mãe... não sei nem o que dizer. Mas achei por bem escrever algumas linhas sobre ela.




Minha mãe foi uma pessoa à frente de seu tempo. Filha de poloneses, nasceu no Brasil antes da 2a guerra (1937), perdeu a mãe aos 3 anos e começou a trabalhar aos 11 anos de idade, numa fábrica de artigos de couro.


Independente desde cedo, não pôde estudar enquanto trabalhava. Mas chegando à vida adulta, decidiu trabalhar de dia e terminar os estudos à noite, no Instituto de Educação do Paraná. Gostava de poesia e de cantar, participando do coro da escola. Contava que até gravaram um disco. :-) Também estudou inglês e sempre estava buscando aprender coisas novas.


Se eu quisesse saber o que estava acontecendo, bastava ligar para ela, que sempre sabia das últimas notícias.


Ela sempre me inspirou, motivou e me ensinou a olhar as dificuldades pelo lado positivo. Era uma pessoa alegre, meiga, generosíssima, contente com o que tinha. Sabia rir de si mesma, e muito atualizada, surpreendendo sempre os mais jovens.


Mas como todo mundo, ela não era perfeita, não, é claro. Gostava de sua privacidade e espaço, e não curtia quem os invadia, sendo franca sobre o assunto, além de algumas manias, especialmente agora que já era mais idosa.


Em matéria de comida, não gostava muito de comida simples do dia a dia, como feijão e arroz. Eu sempre levava lasanha, estrogonofe, coxinha, empadão, brownie, etc.. para ela. Suas comidas preferidas: maionese e banana à milanesa, daquelas de churrascaria.


A equipe do hospital disse que riu muito com ela, pois era uma pessoa muito divertida e amável, mas lembram que ela tinha uma queixa: o café com leite vinha morno. Ela gostava de tudo muito quente. Um dos seus últimos pedidos no hospital, para mim, foi uma coquinha (coca cola). Depois que foi para a UTI, a equipe médica me contou que ela pediu suco de abacaxi. Porém, embora não soubéssemos, já não podia mais ser alimentada.


Ela estava em tratamento já há vários meses, íamos e vínhamos de consultas e procedimentos. Na semana passada, ia ter alta novamente e nós já estávamos nos programando para sua recuperação. Porém, uma isquemia interrompeu nossos planos, no final de semana. A equipe médica me informou que seria uma questão de horas. Não podíamos vê-la, a não ser por video-chamada.


Entretanto, forte como sempre diante das dificuldades, superou o tempo que determinaram para ela. Foi então que nos autorizaram a visitá-la. Meu irmão e eu fomos falar com ela, orar com ela, muito fraquinha no leito, respirando com dificuldade e sob efeito de medicamentos. Não sabemos se ela nos ouviu, mas acreditamos que sim, pois logo após a nossa visita, ela nos deixou. Foi uma rápida despedida. Sentirei muita falta de ouvir ela dizer: "Oi, filha querida!" ...


Nunca estamos preparados, por mais que saibamos que um dia todos iremos perecer. Mas louvo a Deus pela vida dessa mulher incrível, que quis aprender a usar o computador, e o Facebook, depois dos 70 anos, depois de um câncer e um infarto. Ela foi um exemplo de superação, diante de tantas dificuldades em sua vida. Mas o maior exemplo dela, para mim, é que devemos ser gratos pelo que temos e encarar a vida com otimismo, e não esperar dos outros uma ação. Que devemos tomar as rédeas de nossas vidas em nossas mãos, confiar em Deus, e agir, pois se nós não tomarmos uma atitude por nós mesmos, os outros não o farão.


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Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. Contra estas coisas não há lei. Gálatas 5:22,23

(A ilustração acima, onde desenhei uma senhora com um casaquinho para homenagear minha mãe, foi feita em 2016).

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