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Clientes? Planejamento e Estruturação



Clientes, clientes, clientes... Como conseguir clientes?


Uma das coisas que mais aflige o ilustrador é conseguir clientes para seu trabalho de ilustração.


Em primeiro lugar, é importante entender que ilustrar e prospectar clientes são dois trabalhos diferentes, e é, sim, complicado ter que deixar o seu trabalho de ilustrar para focar em conseguir clientes.


Eu sei bem disso porque sou formada também em Adminstração, pela UFPR, e antes de me tornar ilustradora, eu trabalhava justamente na área comercial de uma grande empresa. Eram umas 40/50 pessoas só para realizar vendas.


Se uma empresa tem a área de produção e de venda, além de tantas outras, já vemos que vender é algo que requer dedicação exclusiva e, portanto, já começa aí uma das dificuldades. Afinal, somos "uma só pessoa", e nem sempre quem tem habilidade no desenho, tem habilidades comerciais.


A segunda dificuldade é tempo: se estivermos procurando clientes, estamos deixando de ilustrar, que é, na verdade, nosso sonho. Quem ilustra sonha em ficar o dia todo ilustrando.

E é por isso que existem agentes literários em alguns outros países. Para que o ilustrador foque naquilo que ele é bom e o agente foque em vender o trabalho dele.


Mas como eu sempre digo: aqui no Brasil, não temos agentes, e quem tem que fazer todo esse trabalho é “a gente” mesmo.


Por isso, vou dar algumas dicas que podem facilitar a vida de quem está procurando clientes em nossa área.


·        Decida o que você quer


Somente sabendo exatamente o que queremos é que vamos tomar atitudes em direção a esse objetivo.


Que tipo de ilustração você quer fazer? Com quais clientes sonharia trabalhar?


Há ilustradores que querem trabalhar com ilustração infantil, há outros que querem trabalhar com quadrinhos, ilustração botânica, científica, publicitária, estampas, etc...


Em qual – ou quais – mercados deseja atuar?


Que tipo de trabalha você mais gosta de fazer?


Quais os tipos de pessoas ou empresas com as quais gostaria de trabalhar?


Com quais tipos de projetos gostaria de trabalhar?


Pesquise. Se não empregar tempo para aprender e conhecer, vai perder mais tempo mandando seu trabalho para clientes que não estão interessados. Quanto mais souber sobre o mercado, mais equipado estará para decidir e optar em qual deles deseja trabalhar.


De que adianta fazer propaganda de churrascaria para vegetarianos?


Analise o seu estilo e veja em qual mercado ele tem valor. Não adianta fazer caveiras e tentar entrar no mercado de livros infantis. É verdade! Eu já recebi uma mensagem de um ilustrador que só tinha caveiras no portfólio e queria saber por que não conseguia entrar no mercado de ilustrações de livros infantis.


Para finalizar, isso não é preto no branco. Sempre é possível alterar o caminho ou pegar atalhos.


Uma grande vantagem dos ilustradores é que fazem uma ilustração personalizada, que atende às demandas específicas dos clientes. Ilustrações em bancos de imagens não fazem isso, e às vezes até são tão generalistas, que chegam a retratar o que é caricato, e não o que é verdadeiro.


·        Clientes qualificados


Quando estiver trabalhando com clientes, algo que devemos ter como objetivo é trabalhar com aqueles que chamo de qualificados: são os que conhecem o trabalho do ilustrador e o valorizam, que não o veem somente como alguém que faz ‘desenhos’, mas que oferece uma solução personalizada para o cliente.


Aqueles que não valorizam o seu trabalho, que pagam pouco, exigem muito do ilustrador, para poder ‘fazer valer o que estão pagando’ é o que chamo de clientes não qualificados. Alguns chegam a ser mal educados, comparam o seu trabalho com o de colegas e tentam diminuir o que você faz, para tentar conseguir mais por menos.


Já trabalhei com esses dois tipos de clientes, e com os anos, já cheguei a quase detectar os mesmos nas entrelinhas dos e-mails que recebo solicitando orçamentos.


Claro que isso nem sempre é possível, mas hoje já consigo dar respostas adequadas para alguns, pois já lidei com várias situações e com muitos tipos de pessoas. Para esse tipo de cliente, o melhor é sempre prevenir. Algumas situações e suas possíveis soluções:


. Cliente quer mais ilustrações sem oferecer compensação financeira


Faça contrato antes de começar o trabalho. O combinado não sai caro. Assim, o cliente não tem argumento, pois está tudo preto no branco.


. Cliente menospreza ou critica o seu trabalho para conseguir mais pelo mesmo valor


Nesse caso, que já aconteceu comigo, eu acabei informando o cliente que ele poderia então contratar outra pessoa, já que o meu trabalho não era o que ele queria e até devolvi o sinal. Por sorte, ele não tinha ainda assinado o contrato. Caso tivesse assinado, acho que aí eu teria que terminar o trabalho e aguentar até o fim.


Eu tinha começado o trabalho sem contrato porque ele tinha vindo de uma excelente indicação.


E quando informei que não faria mais e que iria devolver o sinal, ele ficou bem chateado e tentou me convencer a continuar.


Acho que se arrependeu, mas viu que não pode tratar os outros de qualquer jeito. Hoje eu já deixo tudo bem claro em contrato e não começo mais sem ter o mesmo assinado e o sinal depositado.


Na verdade, o que acontece geralmente é que, aqueles que pagam melhor são os que mais valorizam o seu trabalho. Essa valorização se reflete no fato de que consideram você como um ser pensante, que tem ideias a oferecer, que conhece o seu trabalho e sabe o que fazer para apresentar a melhor representação visual para a ideia, conceito ou mensagem que eles desejam passar.


Por isso que sou contra preços muito baixos, pois vão atrair clientes que pagam pouco. E os que pagam melhor, ficarão na dúvida se o seu trabalho é bom mesmo. Pois o que tem valor, tem custo.


Cliente que vem por preço, vai embora por preço também. Ele não é fiel.


No início, vamos passar por muita coisa assim, até conseguir experiência que vai mostrar os indícios do que é bom e do que é ruim. Principalmente se você precisa muito pagar as contas e não pode se dar ao luxo de escolher trabalhos.


Com o tempo, vai entender o que estão dizendo pela forma como as pessoas escrevem.


Por exemplo, uma vez um editor de uma pequena editora entrou em contato comigo. Queria que eu apresentasse um orçamento para uma história. Li o texto e enviei o orçamento.


A forma como ele responderu me deu a impressão de que ele não queria me dizer que não pagaria o que eu havia pedido, pois respondeu: ‘antes de discutir os valores, queria saber se eu estava disponível imediatamente’. Isso me mostrou que, além dele achar que o meu trabalho não valia o que eu tinha pedido, ele queria urgência. Ou seja, ele estava abrindo um precedente para me dispensar.


Ao perceber isso, eu mesma já deixei claro que só poderia começar depois que terminasse meus outros projetos e que não poderia atendê-lo na data em que ele queria.


Muitos clientes querem urgência e não entendem que não se trata apenas de um desenho, mas que, assim como produzir um texto leva tempo, produzir uma ilustração requer pesquisa, esboços, avaliar composições, refletir sobre como devemos apresentar a história, padrões de cores que vão transmitir uma mensagem também, criação de personagens...


Foque na base para conseguir mais clientes


Antes de mais nada, é importante saber que, não importa o que você faça para conseguir clientes, se não tiver sua carreira minimante estruturada, não há propaganda que faça você manter o cliente.


Você pode até fazer contatos, propaganda, ir a eventos... mas quando o seu cliente vir que você não tem portfólio, ou ele deixa a desejar, mesmo que ele estivesseve muito interessado, ele vai desanimar e irá procurar um profissional em outro lugar.


Muita gente me pergunta: eu desenho bem, mas não consigo clientes. Será que não falta um portfólio, narrativa visual, composição, estilo?


Uma vez que a base esteja estruturada, a melhor forma de conseguir bons clientes e poder escolher é criar o maior número de possibilidades possível. Ou, como diria meu pai: quem arma mais arapucas, pega mais passarinhos. É um ditado antigo, e parece que estamos armando uma ‘armadilha’, então é um pouco pejorativo. Porém, expressa bem que devemos semear, semear, semear. E só semeando muito é que teremos uma farta colheita.


Mas antes de semear, temos que arrancar o mato, as ervas daninhas, preparar e nutrir o solo. Então, devemos semear e aguardar o tempo certo para começar a colher.


Quanto mais oportunidades criar, mais ofertas de trabalho vão aparecer. E aí você poderá escolher com qual deseja trabalhar. Além disso, não estar disponível mostra que o seu trabalho é ‘escasso’, que as pessoas querem trabalhar com você e que outros te valorizam. É igual a uma churrascaria de beira de estrada: paramos onde tem mais carros e caminhões. Se muita gente procura o seu trabalho, o cliente que não conseguiu fechar com você porque você já tem outro trabalho, vai valorizar ainda mais o que você faz.


Por isso, embora possamos aceitar todo tipo de trabalho, devemos focar naqueles que pagam mais, que são mais prazerosos de fazer (eu não pego projetos em que não acredito), que as pessoas sejam ao menos educadas, que falem ou escrevam para mim de forma que eu não seja mais uma ilustradora qualquer no mundo, num nicho que, competitivo ou não, eu possa ter um trabalho que seja único e diferenciado.


Dizem que a vida é muito curta para fazer o que não se gosta. Mas vou além: a vida é curta para passar tempo trabalhando com quem não gosta também.


Porém, mesmo que a pessoa com quem vamos trabalhar seja mais difícil de lidar, há que se ter equilíbrio: se pagam bem e você faz o que gosta, às vezes vale a pena lidar com clientes mais exigentes.


Muitos ilustradores dizem que é difícil encontrar trabalho. De fato, para iniciar é difícil mesmo. Mas já foi pior. Hoje o mundo está muito mais conectado e as possibilidades são infinitas.


Entretanto, há ilustradores que não tentam melhorar seu trabalho, não se desenvolvem, não fazem uma boa propaganda de si mesmos. Já conheci gente que nem sabia desenhar e dizia que era ilustrador.


Alguns acham que ilustração para livros infantis é ilustração "infantil". Desenham qualquer coisa, sem pensar na narrativa visual, sem pensar na composição, sem pensar na mensagem, fazem só personagens, sem contexto, e não se concentram em quem vai receber a mensagem, que é o leitor. Pensam que de qualquer jeito está bom.


Ora, o desenho é uma das habilidades que um ilustrador tem que ter. Ele não precisa fazer um desenho acadêmico, nem ter nascido com talento, mas tem que ter vontade de aprender mais técnicas, mais competências, mais habilidades, enfim, fazer um trabalho de qualidade.


Se você está sem trabalho, será que não está faltando alguma coisa? Será que está pronto(a) para atuar?


Pode ser que você seja um exímio desenhista, mas quem te contrataria não sabe que você existe. Ou então, você desenha muito bem, mas seus desenhos não tem componentes necessários para transmitir a mensagem que o cliente quer. 


Assim como um designer não é quem somente saber usar um programa de computador, mas precisa de conhecimentos extras para fazer um cartaz ou um livro, por exemplo, o mesmo acontece com o ilustrador. É preciso se desenvolver, aprender mais, se tornar alguém que conhece a profissão e o mercado a fundo.


E isso requer dedicação e vontade. Não podemos colocar a culpa no cliente. Se tem mercado, tem concorrência, e ele vai escolher quem estiver mais preparado.


Lembre-se: o ilustrador trabalha remotamente e tem, literalmente, um mundo de possibilidades.


Iustrado final de semana!




 

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